Grupo 6

O IMPACTO DA WEB 2.0 NAS EMPRESAS
O CASO DA RTP

Ana Rosa Antunes
Vanessa Gouveia Pedro

Iseg, Lisboa, Portugal
moc.liamtoh|senutnasorana#moc.liamtoh|senutnasorana

Iseg, Lisboa, Portugal
moc.liamg|ordepaievuogassenav#moc.liamg|ordepaievuogassenav

RESUMO: Cada vez mais as empresas de comunicação deparam-se com um conjunto de fenómenos que afectam a sua produtividade como a existência de um maior número canais de comunicação, desgaste da publicidade tradicional, modificações nos hábitos e padrões de comportamento do consumidor, etc. Estas tendências, aliadas a uma crescente popularidade na utilização das tecnologias de Web 2.0, conduziram inevitavelmente a uma mudança de estratégia nas empresas. Este novo paradigma obriga a uma interacção permanente com o cliente, sendo possível construir uma relação de proximidade intensa, em que o próprio consumidor acaba por participar activamente na construção da empresa. Conceitos como os de participação e interactividade ganham assim uma dimensão nova e diferente.

Palavras-chave: Web 2.0, internet, tecnologia, comunicação, produtividade, RTP.

1. Introdução
As mudanças tecnológicas associadas ao aparecimento da Internet marcaram o ambiente empresarial e introduziram mudanças sociais únicas. O impacto do sucesso deste meio tem sido um objecto de investigação com múltiplas variantes, desde comportamentais a comerciais. Com o desenvolvimento da Internet, a democratização das formas de acesso e aumento da largura de banda, o mundo mudou, as formas de comunicar alteraram-se por completo e a própria Internet alterou-se.
Novas práticas e regras foram criadas para as empresas fazerem negócio e interagirem com os seus consumidores finais e parceiros financeiros. Foram testadas novas aplicações e os serviços encontram-se continuamente a ser desenvolvidos na tentativa de acompanhar uma sociedade de informação em constante mudança.
De acordo com a empresa IBM, em 2012, as Redes Sociais representarão, directa ou indirectamente cerca de 90% do comércio electrónico. Este potencial, aliado à crescente participação através de blogs, Wikis e outras plataformas, faz com que as empresas reavaliem a sua estratégia comercial, e institucional neste domínio. As empresas compreenderam que os comentários e outras referências que os consumidores fazem on-line, são importantes fontes de informação, oportunidades de negócio, possibilidades de correcção de determinadas práticas/produtos e ainda oportunidades de melhoria dos serviços.
Este trabalho pretende identificar como a Web 2.0. pode melhorar a estrutura organizacional e a capacidade de produção de novos conteúdos. Temos ainda como objectivo, identificar quais as tecnologias mais utilizadas, nas empresas de comunicação e enquadrar e explicar o conceito de Web 2.0.
2. Referencial teórico
2.1- O que é a Web 2.0?
A expressão Web 2.0 foi inicialmente desenvolvida por Tim O’Reilly, director da O’Reilly Media e resultou de uma conferencia de entre este e a MediaLive Internacional. O termo designa uma segunda geração serviços que contempla a Web como uma plataforma que inclui novas potencialidades como Wikis e aplicativos que se baseiam em folksonomias, redes sociais e Tecnologias da informação.
O'Reilly. (2005) (citado por RIBEIRO, Rui Jorge, 2010, p.19) enuncia que: “o conceito Web 2.0 não tem um limite rígido, mas sim, um núcleo gravitacional. Pode-se visualizar o conceito Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que formam em conjunto um verdadeiro sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios, a uma distancia variável a partir desse núcleo. “
O’Reilly (2005) enuncia sete princípios para explicar a mudança de paradigma e o que é a Web 2.0 :
1- A Web como Plataforma: o conceito de Web 2.0 não tem fronteiras rígidas pelo contrário, funciona como um centro gravitacional. Pode visualizar-se a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro ”sistema solar” de sites. Na Web 2.0 os softwares funcionam pela Internet, não somente instalados no computador local, de forma que vários programas podem integrar-se, formando uma grande plataforma.
2- Utilização de inteligência colectiva: o principio central do sucesso dos gigantes que nasceram na era da Web 1.0 e que sobreviveram à passagem para a Web 2.0, parece estar no poder da Web para aproveitar a inteligência colectiva. A ideia de espaço partilhado, no sentido de aproximação dos utilizadores num canal aberto é a chave para uma posição dominante no mercado na era da Web 2.0.
3- O potencial das bases de dados: na era da internet podemos assistir a um sem número de casos em que o controlo das bases de dados conduz ao controlo do mercado, potenciando e alargando o lucro financeiro das empresas. Assim, existe uma competição em torno de quem possui determinados conjuntos. Em alguns casos, quando a criação de uma fonte de dados tem um custo significativo, geram-se condições para que exista um monopólio sobre uma única fonte de dados.
4- O fim do ciclo de lançamento de software: hoje em dia o software é-nos oferecido como um serviço e não como um produto, tal facto faz com o software seja executado através de um servidor, não sendo por isso necessário instalar um sistema no computador do cliente. No modelo de software, vende-se um produto cobrando-se geralmente altos valores sobre ele . No modelo de serviços, desenvolve-se uma versão sem cobrar nada ao cliente, que será disponibilizada na internet para que várias pessoas possam usufruir da mesma. Os programas deixam de ser lançados, passando a ser corrigidos ou alterados, para que possam ser melhorados.
5- Modelos de programação leves: estes modelos permitem o suporte a modelos de programação leves com um design pensado para uma fácil utilização. “A Web subverteu grande parte da teoria de hipertexto, ao substituir um pragmatismo simples por um desenho ideal” O'Reilly. (2005, p.22)
6- Software para além de um dispositivo: um outro desafio que a Web 2.0 nos reserva é que já não necessitamos de estar limitados à plataforma PC. A tendência é que as novas tecnologias da Web 2.0 funcionem em qualquer dispositivo.
7- Experiência por parte do utilizador: as páginas Web são cada vez mais desenvolvidas, permitindo ao usuário participar, ou seja, mesmo quando este não participa na elaboração dos conteúdos originais, pode enriquecê-los mais tarde com comentários. O próprio conteúdo dos sites permite construir comunidades. Tal facto só foi possível devido à introdução de modelos de programação leves.
2.2- Aplicações de Web 2.0
Existem diversas abordagens na definição das aplicações de Web 2.0. Por exemplo Constantinides e Fountain (2008) , classificam-nas em:
1- Blogs: site em que um indivíduo ou grupo de indivíduos faz a sua manutenção. Está constantemente a ser actualizado com novas entradas por parte dos utilizadores, que por vezes combinam o seu conteúdo com podcasts.
2- Redes Sociais: aplicações que permitem a construção de um perfil pessoal os utilizadores podem aceder para comunicar ou criar conteúdos pessoais.
3- Comunidades: são responsáveis pela organização e partilha dos mais diversos tipos de conteúdo (ex: Wikipédia)
4- Fóruns: sites que permitem a troca de ideias e informação, normalmente girando em torno de interesses específicos comuns a um grupo.
5- Agregadores de conteúdo: aplicações que possibilitam a costumização do conteúdo por parte do utilizador (ex: RSS - Real Simple Syndication).
2.3- Utilização Web 2.0 pelas empresas
Devido à utilização em massa e popularidade que as tecnologias de Web 2.0 ganharam por parte do publico, as empresas procederam à sua adopção internamente como forma de facilitar as interacções internas e externas.
Nos últimos anos assistimos à emergência de serviços inovadores baseados na internet, que têm vindo a ganhar popularidade no mercado (Flickr, Linkeln, MySpace, Blogspot etc). Ao mesmo tempo, algumas empresas que foram pioneiras na Web (Ebay Amazon e Google), tornaram-se gigantes, evoluindo muito para além da sua perspectiva inicial de negocio. O modelo de actuação destas empresas baseia-se na criação de experiencias com significado, no facto de permitir que as pessoas partilhem interesses comuns e colaborem, na possibilidade de criar conteúdos de forma fácil e rápida e na produção de informação com valor. Petrassi (2008) .
A utilização da Web 2.0 pelas empresas requer que os usuários colaborem e contribuam ao mesmo tempo para o sistema introduzindo um padrão muito mais colaborativo. Assim, num cenário de utilização da Web 2.0, consumir reflecte-se numa perspectiva participativa (como ler um Blog). Pelo contrario, contribuir significa dar a nossa contribuição individual para a construção do conteúdo (por exemplo, comentar um Blog ou adicionar um tópico de discussão).
3. Metodologia
3.1- Métodos de pesquisa e abordagem do tema
O presente artigo tem como objectivo identificar qual o impacto da Web 2.0 nas empresas, tendo como caso especifico a RTP. Assim, a nossa pergunta de partida baseava-se na seguinte afirmação: a introdução da Web 2.0. possibilitou uma melhoria da estrutura organizacional e a capacidade de produção de novos conteúdos da RTP? Quais as tecnologias mais amplamente utilizadas? Tínhamos assim como objectivo conseguir entender o que está a mudar na comunicação de Marketing e como o comportamento do consumidor pode influenciar a tomada de decisões.
Para tal, recorremos à realização de uma entrevista, de tipo semi-estruturada, (que teve como apoio um guião previamente estruturado, que serviu como eixo orientador) ao Director da secção de Marketing e Comunicação da RTP, Ricardo J. Tomé. A mesma teve lugar no dia 21 de Março pelas 10:00 horas, na sede da RTP, na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa. A nossa investigação contou ainda com a aplicação de questionários, também na RTP. Devido à escassez de tempo procedemos à aplicação de questionários on-line. O motor utilizado foi o eSurveyPro 54 que não impõe limites no que diz respeito ao número de questões ou de respostas ao inquérito. As questões colocadas foram de tipo fechadas por forma a construir opções mais definidas. Por último, recorremos ainda ao método da observação directa.
A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) é uma empresa estatal portuguesa que inclui a rádio e a televisão públicas. Antes do ano de 2004, a Radiodifusão Portuguesa (RDP) e a Radiotelevisão Portuguesa (RTP), empresas públicas de rádio e televisão respectivamente, estavam separadas e eram entidades jurídicas independentes e distintas. Em 2004, foram reestruturadas e fundidas numa empresa pública, a Rádio e Televisão de Portugal. Desde então, a sigla RTP passou a designar o grupo inteiro de Rádio e Televisão. A partir desta mudança, a RTP tornou-se no canal de televisão mais visto do país, sendo que diariamente cerca de 50 milhões de pessoas põem os olhos na RTP.
4. Estudo de Caso
Com o objectivo de entender as que mudanças que têm ocorrido nas empresas de comunicação em Portugal, dirigimo-nos a um dos maiores grupos presente na área da comunicação social, a RTP. Inicialmente tínhamos como compreender como está estruturado o departamento de Marketing e Multimédia, conhecer como os colaboradores se têm adaptando às inovações tecnológicas e como a Web 2.0 pode melhorar a estrutura organizacional e a capacidade de produção de novos conteúdos.
Na RTP, o Departamento de Marketing, agora designado por “direcção” engloba várias áreas, que incluem a área de comunicação, as áreas de marketing TV e Marketing, Rádio, e mais recentemente uma área que se designa por conteúdos Web. Esta última, define que conteúdos devem ser trabalhados ao nível da rádio, televisão e Web no meio on-line. Ou seja, até aqui, a presença da RTP na Web era sempre orientada avulsamente. Cada canal pensava como queria estar no meio on-line e criava o seu próprio site, como refere Ricardo J. Tomé: “cada programa fazia um pedido à parte e por isso não existia uma estratégia única nem um diálogo entre todas as áreas” . A área de conteúdos Web contribuiu para criar uma maior harmonia e um fio condutor entre todos os canais, tendo como objectivo criar uma sinergia e dar uma orientação ao todo. Ricardo Tomé esclarece mesmo que: “Tudo isto passou por um ano e meio de intenso trabalho para se poder redesenhar todo o site da RTP, que começará a funcionar ainda este ano e passa também por um desenvolvimento mais orientado da presença das marcas e dos programas na média social” (Ricardo J. Tomé). O objectivo é dotar os canais e o programas de algum know-how, de alguma orientação e sobretudo de alguma medição, ou seja passamos a ter um reporting mais regular definido em métricas e kpis , que nuns casos é mais orientado para o vídeo, noutros para as páginas.
Os blogs foram introduzidos em 2007 e nasceram ligados a alguns especialistas, comentadores ou jornalistas, que operavam na área de desporto e noticias. Entretanto acabaram por se alargar aos próprios programas de entretenimento e ficção, passando a ter um uso muito mais abrangente.

Segundo Carrera, (2009, p. 180). “ os cidadãos 2.0 querem ter a possibilidade de se expressarem para todo o mundo, em qualquer lugar que estejam, têm uma necessidade quase patológica de estarem on-line em constante partilha, o que abriu o campo para o micro-blogging. Um micro-blog é um tipo de blog que permite aos utilizadores escreverem breves textos, com cerca de 140 caracteres e publicá-los para que todo o mundo ou apenas um grupo restrito de subscritores possa ter acesso”

Em termos de plataforma interna, a RTP encontra-se a reavaliar toda a estrutura que suporta a sua presença no meio on-line, sendo que durante este ano ficará definido que ferramentas novas irão ser introduzidas para apoiar e suportar a distribuição de novos conteúdos. Tal como nos foi dito por Ricardo J. Tomé: “Ainda estamos suportados por uma plataforma open source que é desenvolvida dentro da casa. Fora isso estamos presentes em termos de média social no Youtube, do qual somos parceiros, no Facebook, Twitter, Flickr e no Sapo”. Relativamente à gestão de plataformas, a organização que tem vindo a ser definida, firma-se numa colaboração entre a área de marketing e comunicação e a área de direcção de conteúdos, tal como explicita Ricardo J. Tomé: “há uma definição da orientação da área de marketing e comunicação com as áreas de direcção de conteúdos (a direcção de programas da RTP 1, da Antena 1 ou Antena 3 etc.). Se o projecto faz sentido para as duas partes, então o mesmo avança”.
Posteriormente, ao nível da gestão, há sempre um responsável que gere o projecto, fazendo a ponte entre os dois departamentos. Ao nível operacional há um responsável (ou mais, dependendo da dimensão do projecto) de conteúdos que dinamiza o Facebook (colocando vídeos), assiste ao feedback que chega do blog e que coloca novos posts. Assim, há sempre um operacional que alimenta e dinamiza toda a marca, todo o programa, toda aquela comunidade, seja em que plataforma for.
Apesar de esta forma bastante sincronizada de trabalhar, a RTP ainda não adoptou nenhuma estrutura interna que sincronize todos os departamentos e que permita comunicar de forma mais simples em tempo real, como é o caso das wikis ou dos fóruns.

Segundo Petrassi, (2008), “As Wikis permitem ideias inovadoras para colaborar através de uma rápida acumulação de conteúdo através de um website. Utilizando tecnologias baseadas em navegador AJAX , os usuários wiki podem adicionar novos conteúdos e links, alterar o conteúdo existente e reorganizar o site. Uma wiki opera em um princípio da confiança de colaboração, ao invés de um controlo centralizado. Esta abordagem descentralizada é uma chave importante para o valor de uma wiki, porque ela pode rapidamente agregar as energias criativas de um grupo amplo”.

Na RTP comunicam assim, via e-mail, chats ou telefone, ainda não existindo, por agora, videoconferências internas Ricardo J. Tomé enuncia apenas que: “ como fazemos parte do serviço público em Portugal, fazemos parte da IBM, rede de operadores de serviço público europeu e aí fazemos algumas videoconferências ou assistimos a conferências via Web. No entanto, em termos internos ainda não houve essa necessidades, pelo menos por agora. A wiki encontra-se em cima da mesa mas ainda não é uma realidade. Apesar de, tal como diz Ricardo J. Tomé, não existir uma necessidade latente, as comunidades virtuais podem ser uma mais-valia em termos de melhoria da produtividade de uma empresa e de gestão de recursos, evitando perdas de tempo repetições de conteúdo.

Segundo Carrera (2009, p. 189) “Apesar de todos os desenvolvimentos nos últimos anos, estamos ainda nos primórdios da utilização das comunidades virtuais, pois esta será a chave para lidar com dois importantes desafios: A velocidade de resposta ao mercado, estas comunidades podem funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, em esquema rotativo em várias localizações a nível mundial, de tal forma que todos trabalham em horas «normais» de expediente; o incremento exponencial da informação disponível, só redes de pessoas poderão lidar de forma correcta com este crescimento, o tempo em que uma pessoa se podia arrogar todo o conhecimento sobre uma área específica terminou definitivamente, pelo que um sinal de inteligência é a utilização de redes de conhecimento.”

Ao nível da partilha de conteúdos, destaca-se apenas a utilização do Google Docs uma vez que se encontra na “cloud”. Ricardo J. Tomé explica: “como temos documentos partilhados, aquele grupo de pessoas que se encontra a trabalhar naquele projecto (que tanto pode ser só entre dois ou três departamentos como entre um departamento e uma empresa externa) vai beneficiar, pois tudo se encontra no mesmo sítio, todos estão a ver a mesma coisa e evita-se a troca de versões do mesmo documento”.
Ao nível do acesso à Internet por parte dos funcionários da empresa, a mesma encontra-se completamente aberta, e de outra forma não o poderia ser, uma vez que como esclarece Ricardo J. Tomé, “nós somos uma empresa de comunicação, pelo que seria um contra-senso limitar o acesso a internet”. Não existe por isso a necessidade de criação de uma intranet por parte da empresa, não fazendo mesmo sentido fechar uma empresa na área da comunicação ao mundo.

Segundo Carrera (2009, p. 46 a 47) , “Quantas vezes após uma longa conversa eu ouvi um decidido: «Um dia temos que fazer uma intranet!», infelizmente para mim, esta frase foi dita não pelo reconhecimento dos benefícios inerentes, mas como resposta a iniciativa similar de empresa da concorrência (…) a internet tem um potencial infinito como porta de entrada da empresa para os seus colaboradores, pois ao contrário das instalações físicas e suas funcionalidades, na internet o espaço é virtualmente infinito e as funcionalidades apenas limitadas pela imaginação. As intranets começaram por ser meras ligações entre computadores como escassa partilha de ficheiros e funcionalidades. Actualmente, as intranets são cada vez mais o «sistema operativo» das organizações, pois nelas se podem assentar todos os sistemas de gestão de recursos das organizações, tornando-se o portal da organização.”

Segundo Ricardo J. Tomé: “a abertura e o acesso à média social tem sido fundamental e da maior importância, uma vez que é a partir dela que sabemos as coisas “em primeira mão”. Ficamos também habilitados a saber muito mais para além do que nos chega através dos canais oficiais e de forma mais rápida”. Hoje é fundamental a dinamização das comunidade que giram em torno de um programa, não há como fugir a essa realidade. Trabalhar em comunicação passa por poder aceder livremente a um conjunto muito vasto de informação que passa pelas redes sociais e outras plataformas. Este facto é ainda justificável pela existência de cerca de cem páginas ligadas à RTP no Facebook (a maioria delas de programas, cerca de dez ou doze canais/marcas e duas institucionais). Não é possível ter cem páginas activas no Facebook e interditar o acesso às mesmas à internet. Em média duas a três pessoas são responsáveis pela gestão destas páginas, para que seja possível a sua dinamização. Ainda como elucida Ricardo J. Tomé: “Precisamos da internet para dinamizar as comunidades em torno dos conteúdos que são produzidos pela RTP”.

Bento, (2009) " “(…)O marketing digital assume assim importância primordial para as organizações. As empresas têm que se ajustar aos novos tempos, imprimindo mudanças radicais na forma de realizar negócios e administrar relacionamentos. No actual cenário, as palavras-chave são: interactividade, personalização, globalização, integração, aproximação, convergência e democratização da informação. Nesta nova era o consumidor é quem tem a palavra final, é o actor principal (…) A publicidade não pode ser percebida como um monólogo. Há que redefinir a estratégia de comunicação da empresa, direccioná-la para o online (…) Há que aproveitar também o canal de comunicação directo para "escutar" o cliente verificando as suas necessidades e, principalmente, tratando-o como único e não como mais um consumidor. Assim, antes de expor uma marca no Facebook, é importante verificar se há condições de manter o perfil sempre actualizado e com conteúdo atractivo. A regra da web não é simplesmente estar online, mas estar presente nas redes sociais com qualidade.”

No que respeita à produção de conteúdos on-line, pode dizer-se que o processo de adaptação foi quase instantâneo, não existindo, por isso dificuldades na introdução das novas tecnologias de Web 2.0. A causa para tal fenómeno parece estar associada ao facto das plataformas de media social virem do uso do cidadão comum. Apenas o twitter pareceu apresentar mais dificuldades de funcionamento, por ser muito especifico e por não se encontrar tão difundido entre a população portuguesa.
Somente, plataformas mais robustas ao nível de sustentação do próprio site, implicam um maior nível do conhecimento e de gestão do detalhe, pelo que apresentam maiores dificuldades de manuseamento, sendo que a gestão das mesmas acaba por ser da responsabilidade do departamento de Informática e não da direcção de marketing e comunicação da RTP.
Segundo Ricardo Tomé: “a relação com o departamento de informática é boa, existe entre os dois departamentos uma colaboração permanente e por vezes, a proactividade surge mesmo do departamento de informática ao sugerir novas plataformas; outras vezes, a iniciativa parte da nossa parte ao pedirmos acesso a algumas plataformas ou ao sugerirmos que deve ser equacionado tal processo, para sabermos se a sua aplicação será viável.”.
Quanto aos processos de implementação de novas tecnologia, são geralmente fáceis de implementar, ainda que por vezes possa existir alguma demora devido aos custos de entrada, à adaptação que tem de ser feita ao nível do software já existente ou até na própria criação de uma aplicação especifica.
Ainda em relação aos custos de introdução de nova tecnologia, Ricardo J. Tomé afirma que: “. Numa emissão hertziana não existe custo adicional por espectador, no on-line isso já muda, a cada mil pessoas que entram custa-nos mais, mas isso é o drama de qualquer empresa presente no meio on-line.” A adaptação de uma empresa às novas tecnologias de Web 2.0 implica assim custos, não necessariamente ao nível da introdução das plataformas, porque estas são geralmente gratuitas ao nível da Web 2.0 (redes sociais, blogs, entre outras), mas sim ao nível da gestão das mesmas, pois a Web 2.0 é feita acima de tudo de pessoas, e quanto mais plataformas mais pessoas serão necessárias para a gestão das mesmas.
Em termos de relacionamento com o público teve lugar uma grande mudança. Desde que a RTP se encontra mais activamente na Web 2.0 (há cerca de dois anos), houve uma grande modificação na forma de comunicar, não só ao nível do público, que consegue relacionar-se mais, fazendo-se ouvir, mas também ao nível da própria RTP, que consegue compreender e saber melhor o que a própria audiência sente em relação às marcas ou a própria empresa, ou até relativamente a algumas notícias ou programas. Tal facto, conduz a um fenómeno referido pela Spannerworks (2006) como um menor distanciamento entre os media e a própria audiência. A RTP passou a ter uma maior abertura e um diálogo mais informal quer ao nível da rádio, (como refere Ricardo J. Tomé:” na rádio a voz passa a ter um rosto, uma vez que os locutores começaram a abrir as suas contas no twitter, a criar avatares e a colocar fotos no Facebook”) quer ao nível da televisão, pois anteriormente a televisão era muito mais impessoal, um médio quase inatingível e longe por parte de quem assistia. Hoje em dia essa barreira foi quebrada devido ao facto de os próprios apresentadores, técnicos, comentadores começarem a trocar ideias e opiniões com o público. Podemos assim dizer que, dezenas de pessoas dentro da empresa abriram-se à audiência, passando a falar com a mesma diariamente, ou seja a RTP passou a estar mais disponível para um diálogo permanente, tornando-se por isso mais afectiva e emocional.
Um fenómeno recente, proveniente desta nova relação de maior proximidade e intimidade foi o nascimento do programa “ Cinco para a meia noite” na RTP2. Este programa surgiu da existência de uma maior interacção e colaboração do público, que chega mesmo a fazer parte da própria arquitectura do mesmo. Ricardo J. Tomé considera mesmo que não existe propriamente um programa televisivo, mas sim toda uma experiência ou conjunto de experiencias, pois quem segue o twitter, o Facebook e vê o programa tem uma experiencia diferente daqueles que apenas vêem o programa ou daqueles que vêem posteriormente os vídeos no youtube e seguem-no nas redes sociais.
No que diz respeito à RTP2, esta foi desde o seu momento zero um canal muito receptivo à nova realidade do universo da Web 2.0. Neste canal, impera o pioneirismo e a vontade de experimentar novos projectos, fazendo por isso com que os seus programas não sejam somente programas de televisão, mas sim autênticas experiências para os seus telespectadores. Podemos definir a RTP 2 como uma espécie de laboratório dentro da RTP que trabalha os conteúdos, experimenta e implementa-os, sendo que, muitas vezes, os mesmos acabam por se estender aos outros sectores devido ao seu sucesso. Ricardo J. Tomé comprova que: “ a RTP2 tem sido pioneira em termos de conteúdos interactivos, funcionando como uma multiplataforma, que em termos de panorama televisivo não existe em Portugal. Não existe outro canal que trabalhe tanto e que experimente tanto e arrisque tanto nesta vertente. Há alguns canais que estão agora a nascer, muito focados na internet, mas fazem-no para tentar colmatar a falha de não transmitirem em sinal aberto.”
Pode dizer-se que a RTP no conjunto dos seus canais de actuação soube tirar partido da interacção com o seu público, não se limitando a fazê-lo por uma simples questão de popularidade. Há uma constante resposta ao seu target que se reflecte na grelha de programas. Houve uma adaptação dos programas desde a abertura à Web 2.0 conseguindo assim corresponder às expectativas do público, pois como refere Ricardo J. Tomé: “as redes sociais reflectem tudo aquilo que e o mundo e o que nos somos como cidadãos, espectadores ou ouvintes”.
Por último, questionando mais uma vez a empresa relativamente à introdução de novas tecnologias, chegamos à conclusão de que qualquer necessidade interna ou externa à empresa partirá sempre de um grupo, se essa necessidade for mesmo real. A solução técnica virá naturalmente como resposta a uma necessidade, quando a mesma surgir. Esta ideia é ainda defendida por Tapscott e Williams (2007) , que no seu livro Wikinomics, argumentam que qualquer solução tem de partir da necessidade de se resolver um problema e que a estrutura das tecnologias implementadas deve ser definida pelos próprios funcionários da empresa. Não adianta criar e introduzir softwares que não se adaptam ao perfil dos funcionários ou da empresa ou que nem sequer são necessários.
5. Considerações Finais
Restam poucas dúvidas de que a Web 2.0, está largamente implementada e em contínua evolução. Isto não significa, contudo, que estas tecnologias são todas adequadas para aplicação em todas as empresas. Há tecnologias úteis, sobretudo se forem adaptadas às necessidades e circunstâncias específicas em que se trabalha. Onde essas tecnologias sejam implementadas, deveram ser formalmente apoiadas pelos gestores de TI das respectivas organizações e suportadas pela gestão de topo. O desenvolvimento deste trabalho foi orientado, desde o início, por um conjunto de questões identificadas com vista a conhecer e a identificar como a Web 2.0 melhorou a estrutura organizacional da RTP e quais as tecnologias que usam e cujas respostas foram dadas ao longo de todos os pontos. Para expor com clareza os principais resultados deste estudo sintetizamos essas respostas.
Dentro da RTP comunicam apenas através via e-mail, chats ou telefone, e ainda não existem videoconferências internas, contudo ainda não houve essa necessidade de ferramentas. A wiki encontra-se ainda em cima da mesa. Esta área é extremamente vasta e ainda se está a dar os primeiros passos na sua investigação. Qualquer tentativa para abraçar estas tecnologias demasiado amplas, ou sem um planeamento cuidadoso, estará condenada ao fracasso, e poderá ser contraproducente. Em qualquer caso, estas tecnologias deverão evoluir naturalmente, em vez de serem impostas, mas recomendamos que investiguem quais os factores de aceitação de Wikis na empresa e verifiquem em que medida esses factores influenciam a sua adopção e investiguem se a utilização de Wikis favorece ou não a retenção de conhecimento dentro da RTP. Também ainda não existe uma intranet, a internet é de acesso livre, mas começa-se já a ponderar sobre o tema. Mas verificamos que tem sido muito importante para a RTP, a abertura e o acesso à media social, uma vez que é a partir dela que sabem das coisas em primeira mão ou que pelo menos sabem muito mais para além do que lhes chega através dos canais.
6. Referências
ANDRIOLE, Stephen (2010), Business Impact of Web 2.0 Technologies. Comunications of the ACM
CARRERA, Filipe. (2009). Marketing digital na versão 2.0. O que não pode ignorar. Lisboa: edições silabo.
CONSTANTINIDES, E., Fountain S. J., (2008), ―Web 2.0: Conceptual foundations and Marketing Issues, Journal of Direct and Digital Marketing Practice, Vol 9, No 3, pp. 231-244.
RIBEIRO, Rui Jorge. O impacto da web 2.0 nas empresas portuguesas. Lisboa: ISEG, 2010. Tese de Mestrado em Sistemas da Informação, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2010
ROSA, Nuno Gonçalo Henriques da. O impacto das redes sociais no marketing: perspectiva portuguesa. Lisboa: ISEG, 2010. Tese de Mestrado em Marketing, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2010
BENTO, Patrícia,(2008), Redes sociais como ferramenta de marketing . Expresso, 14 de Setembro. Página consultada a 22 de Março de 2011, < http://aeiou.expresso.pt/redes-sociais-como-ferramenta-de-marketing=f535611#commentbox>.PETRASSI, Jim. (2008). Web 2.0 – Potential Impact on Business. CSC Papers, 4. Página consultada a 21 de Março de 2011, <http://assets1.csc.com/lef/downloads/Web_Potential.pdf
O'REILLY, T. (2005). what-is-web-20.html. Obtido em 5 de Março de 2008, de www.oreillynet.com: http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html
SPANNERWORKS (2006) – What is social media? An e-book from Spannerworks http://www.scribd.com/doc/15011/What-is-Social-Media-Spannerworks-2006?secret_password=&autodown=pdf
TAPSCOTT, D., & WILLIAMS, A. D. (2006). Wikinomics, how mass collaboration changes everything. London: Penguim Group.

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